A Virada Cultural aconteceu neste final de semana, como todo paulistano deve saber.
Nossa trupe seguiu rumo ao centro (a trupe é só Davi Sermarini e eu, todos os outros pularam fora antes, durante e depois).
O objetivo inicial geral:
00h10 – Camisa de Vênus
02h10 – Velhas Virgens
03h30 – Beto Barbosa (Sim! Eu consegui incluir Beto Barbosa!)
06h50 – Matanza
Embora programas ‘free’ são potencialmente atrativos para mim, eu estava doente e ciente de que seria uma furada. Mas fui voto vencido.
Eu obviamente tinha um objetivo diferente (e não era ir ao CTN – Centro de Tradições Nordestinas).
Meu objetivo inicial:
22h00 – Rayman Having Rabbids – TV Party
00h10 – orkut, twitter e msn
00h30 – Leite, biscoitos e remédios
01h00 – Braços de Morfeu
Enfim, lá vamos nós!
22h00 – Saída de Perus (pra ver como começou bem!)
Perus é um bairro legal, fronteira de São Paulo com Caieiras próximo a Francisco Morato, enfim, um lugar bom para se viver!
Rumo à Av. Paulista para encontrar uma parte da ‘tchurma’.
23h00 – Nada pra fazer na Paulista
Ninguem da turma aparece.
23h30 – De quem foi a idéia imbecil de fechar a estação República do metrô para obras e fazer a virada cultural no mesmo dia?
Uma multidão no metrô Sé. Não se sabia em qual trem embarcar! Estava na plataforma que indicava “Destino – Palmeiras / Barra Funda” e fui parar no Brás.
00h00 – Desembarque no Anhangabaú
Eu deveria estar na Praça da República.
00h30 – Arredores da Praça da República.
A primeira visão destruiu minha infância. Eu adorava aquele melzinho que vendiam em gominhos, tipo doce de leite. Eles formavam um cordãozinho e eu destacava, mordia a ponta e comia o mel. Pois bem, lá eles tinham uma coisa colorida provavelmente alcóolica e difícilmente saudável dentro daquelas bisnaguinhas que outrora me remetiam ao doce néctar das flores.
00h31 – Quase vomitaram no meu pé
00h32 – Peregrinação rumo a frente do palco
Colocaram o “Palco Rock” em um local cheio de obras, com acesso difícil e muitas “armadilhas” como canteiros e grades impossíveis de serem vistas no meio daquele povo tão cortez e educado.
00h35 – Cheiro forte de drogas
Não sei bem se era maconha ou só Desodorante Avanço.
No meio daquela multidão de caras de preto pulando e se debatendo ouço alguns gritos, impossível identificar se é estupro, furto ou o refrão da música.
00h39 – Chegada a um local com vista para o palco
Não me pergunte como consegui enxergar o palco, mesmo que por pouco tempo antes de ser arremeçado em algo por alguém.
00h40 – Espremido em um aconchegante tapume
A física tinha razão, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, que dirá 493!
Distintos senhores me provaram mais uma vez que Newton estava certo. Um deles, com a camisa do motorhead, jaqueta de motociclista e garrafa de Balalaika na mão ainda me disse: “Mano, o tempo é uma dimensão imprescindível para determinar a localização de um corpo no espaço-tempo, para tal é essencial que além das três dimensões x, y e z, a dimensão t seja conhecida. Apesar de parecer estranho, todos pensamos nisso quando é dito que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, pois todas as quatro coordenadas, x, y, z e t seriam rigorosamente iguais e para dois corpos distintos no espaço-tempo é obrigatório que ao menos uma das coordenadas seja distinta, e escolhemos qualquer uma que pareça com você.” Isso me pareceu muito sensato!
00h42 – Fora da Praça e perdido
Percebi que quando uma pessoa começa a ficar assustadoramente distante do seu grupo levanta a mão para que vejam onde ela está.
Eu não costumo reconhecer meus amigos pelas mãos.
Mais um tempo observando comecei a crer que as mãos não eram um ponto de referência, mas um pedido de socorro, uma ultima tentativa de agarrar um galho ou algo que o valha para escapar do terrível povo movediço!
00h45 – Rodeando o centro de São Paulo
Já novamente em compania do meu caro amigo Davi começei a rodear o centro em busca de um lugar com condições mínimas de higiene para comprar um refrigerante, enquanto isso o troglodita de moicano (Davi) compra uma lata de cerveja que bóia em uma caixa com gelo e água mais suja que a camisa do vendedor, que também parecia boa parte dos consumidores.
00h50 – Requisitando reforços
Uma parte significativa do nosso contingente desertou antes de chegar ao campo, e uma briga interna entre o medo de sacar o celular em público e a vontade de ter mais alguém para desfrutar das delícias da virada cultural era acirrada. Marcamos com o restante da tropa em frente ao metrô Anhangabaú, que é algo impronunciável para a maioria das pessoas presentes e suas bisnaguinhas de líquido colorido.
01h10 – Quem espera sempre alcança!
Continuamos observando, investidas mais antropológicas do que antropofágicas, criaturas andrógenas e seres oriundos de filmes dos anos 80 surgiam de todos os cantos com suas garrafas de vinho Chapinha e milho verde. Davi reclamava e balbulciava algo como “Prefiro gastar 200,00 contos pra ir no show do Heaven and Hell!” Já eu não. Prefiro meu dinheiro.
01h15 – Abortamos a missão.
Continua a brotar gente estranha de lugares esquisitos. Gente tão estranha que começo a me achar normal.
Com sono, cansado, doente, e em um lugar onde facilmente se pega gripe suína, aviária, vaca louca, enfim, toda fauna e flora de doenças “rurais”.
01h22 – Briga de Casal
Uma moça com uma microssaia, uma menina “bem louca” de Chapinha e milho verde e sua namorada ciumenta (hein?).
01h40 – Estação da Luz
O ambiente hostil do horário de pico agora parece um lugar bom e agradável.
02h30 – A volta
Depois de ficar sentado quase uma hora dentro do trem ele começa a se mover. Surgem mais garrafas de Chapinha, milho verde e um baralho. Começa o truco.
02h32 – Truco!
Seis!
Se ferrou! Ele tinha o Zap!
03h30 – Estação Perus
Acordo depois de um murro do Davi. Braço babado, perna dormente e com um p$@# torcicolo.
Eu moro na Freguesia do Ó, ou seja, passei da minha estação.
03h45 – Tinha uma ladeira no meio do caminho
Davi mora no alto de uma ladeira. Mas bota ladeira isso!
No topo eu consegui ouvir aquela musiquinha do filme do Rocky, mas acho que era falta de oxigenação no celebro, cameço a tlocar as lertas da pavalras.
04h00 – Chegada
Enfim uma cama, paz e sossego.
04h05 – Alergia
Começo a espirrar descontroladamente.
Cogito suicídio.
04h30 – Sono
O sono venceu.
Não existem fotos do evento, pois roubaram a câmera.